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Após curso, indígenas recebem registro do Conselho Regional de Enfermagem.


Após quase três anos de aulas teóricas e participação em estágio, os indígenas José Joaquim Tikuna, 50, e Raimundo Quirino Tikuna, 45, estão entre os mais novos técnicos de enfermagem do Amazonas. Nesta terça-feira (dia 18), em Manaus, eles receberam o registro do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e, de posse da carteirinha do órgão, comemoraram uma conquista que foi marcada, em grande parte, por idas e vindas.

Para chegar ao local das aulas, os dois precisaram enfrentar uma verdadeira maratona, com viagens de barco, que duravam até 12 horas, entre a aldeia e Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), no alto rio Solimões.

O resultado de tanto esforço e superação começou a ser recompensado em outubro deste ano, quando José e Raimundo receberam o certificado de conclusão do “Curso Técnico em Enfermagem”, durante cerimônia realizada no próprio município.

Ao todo, 32 alunos participaram da primeira turma do curso, que é destinado exclusivamente aos povos indígenas e é oferecido desde 2012 pelo Governo do Amazonas, por meio da parceria entre a Secretaria de Estado para os Povos Indigenas (Seind) e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). A ação é do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

O objetivo é contribuir para o fomento de ações de formação técnica e profissional qualificada no interior do Estado, além de atender às demandas apresentadas pelas próprias comunidades e organizações indígenas dos municípios.

“A proposta é preparar essas pessoas para o mercado de trabalho, gerar ocupação para os mais jovens, oportunizar que os indígenas estejam qualificados para atender as demandas de suas comunidades e afastá-los do envolvimento com bebidas alcoólicas e demais drogas, entre outros problemas”, ressaltou a chefe do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas da Seind (Depi), Rose Meire Barbosa.

Moradores de Belém do Solimões, em Tabatinga, José e Raimundo são apenas dois, dos 13 alunos daquela comunidade indígena a fazer o curso em Tabatinga, nessa primeira turma. Apesar da longa distância entre a aldeia e a sede do Cetam, os indígenas se revezaram em alojamentos cedidos pela Prefeitura de Tabatinga, com o apoio da Seind, para não perder um só dia de aula.

Oportunidade - Atual conselheiro distrital de saúde, desde fevereiro deste ano, José ressalta que a formação dos novos técnicos irá beneficiar não somente os 9,8 mil indígenas que vivem em Belém do Solimões, mas também as 27 comunidades de abrangência, que corresponde a 11,6 mil pessoas.

Atualmente, Belém do Solimões possui três enfermeiros não indígenas, todos funcionários da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Segundo José, esse número deverá duplicar em breve, com a contratação de técnicos indígenas.

“A previsão é que sejam contratados três enfermeiros indígenas por ano. A primeira deverá ocorrer em janeiro de 2015, com os nomes indicados pelas lideranças e o próprio Condisi”, informou José Joaquim Tikuna, que tem sete filhos e trabalha na saúde indígena desde 2006.

Mais formatura - Aproximadamente 433 alunos (de 23 municípios) estão em sala de aula em processo de formação nas áreas técnicas que envolvem também os cursos de Análises Clínicas e Saúde Bucal.  


Seis turmas estão em fase de conclusão, com perspectiva de formar em 2015, nos municípios de Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Lábrea, Pauini, Santo Antônio do Içá e São Gabriel da Cachoeira.

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Fonte: A Crítica 

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